quarta-feira, 16 de julho de 2014

Proposta do papai

- Estou indo para a clínica, quer ir comigo? Lembra da proposta que fiz de você começar a me ajudar com os pacientes e já ir se familiarizando com a medicina? Então, o que me diz?
- Acho que vai ser interessante! Vou sim, pai. Tomei um banho, coloquei um vestido básico e saí com meu pai. A clínica não fica muito longe de casa, é vizinha ao hospital onde meu pai também trabalha. Na recepção encontro a Tânia, que trabalha com meu pai desde que eu era pequenininha, ela abre um sorriso ao me ver.
- Madian, como você cresceu, menina! Cresceu... parece piada, não passei dos meus um metro e sessenta.
- Oi, Tânia, nem faz tanto tempo assim... A Tânia é daquelas mulheres bem extrovertida e sorridente e muito competente também. Ela sai da sua da mesa e vem me dar um abraço bem forte na frente de todos os pacientes que estavam esperando para serem consultados ou daqueles que aguardavam para fazer a sessão de  quimioterapia. Quando a Tânia me solta, percebo um par de olhos verdes me olhando surpresos e meu coração dispara! Iam! O que ele faz aqui?! Baixo a cabeça e ando rápido para a sala do meu pai.
- Meu Deus, é ele! Será que ele veio trazer alguém? Ou... Será que ele está doente? Meu Deus, será???
Meu pai entra no consultório e liga para a recepcionista chamar o primeiro paciente.
- Pai, tem um jovem lá fora de olhos azuis, ele é seu paciente?


sábado, 12 de julho de 2014

Pesadelo!

- NÃÃOOOO!
- Madian, acorde! Meu pai entra correndo no meu quarto para me acordar de mais um pesadelo. Ele senta na minha cama e me abraça.
- Acabou, acabou. Ele fala me acalentando em seus braços. Eu choro. Meu Deus, mais um daqueles pesadelos. Quero esquecer.
- Ah, pai, porque isso não para. Choramingo em seu peito. Minhas lágrimas molham seu pijama.
- Quer vir dormir comigo, minha querida? Meu pai pergunta carinhosamente.
- Não, pai, não precisa. Digo fungando e enxugando os olhos com as costas das mãos.
- Vou voltar a dormir. Pode ficar tranquilo. Meu pai me beija na testa e segue para a porta.
- Se quiser eu fico aqui com você, minha querida.
- Pode ir, pai. Já estou bem. Digo e volto a me deitar na cama. Ele sai e bate a porta. São duas da manhã e esse pesadelo de vez em quando volta a me atormentar. Agarro-me ao edredom e tento voltar a dormir. Amanhã é meu primeiro dia de aula no curso de medicina da UFPB, o melhor curso de medicina do nordeste. Estou morando com meu pai há pouco mais de dois meses. Antes eu morava com minha mãe e meu padrasto em Recife, capital de Pernambuco, estado vizinho da Paraíba. Eu passei no vestibular de lá também, mas a universidade da Paraíba é referência em Medicina e em transplantes de órgãos, área que pretendo me especializar.
O sono chega.
TRIIIMMM. O despertador me acorda. Minha cabeça parece um pouco pesada. Hora de levantar para ir a aula. Nossa, sou universitária. Não conheço quase ninguém na cidade, nem no bairro. Tenho só uma amiga que conheci quando criança, nas férias, a Regina. Moro em João Pessoa, a capital da Paraíba, no bairro Cabo Branco. Fica no litoral, a praia aqui é linda. O lugar é bem tranquilo. Eu gosto daqui.
Saio da cama e sigo para o banheiro, paro em frente ao espelho e me assusto com a figura que está me olhando. Olheiras.
Vou tomar uma ducha fria. Termino o banho, me enxugo. Pego minha calça jeans, uma blusa baby look branca, calço uma sapatilha, faço um rabo de cavalo e vou para a cozinha tomar café. Meu pai está sentado a mesa.
- Bom dia, minha querida. Conseguiu dormir?
- Sim, pai, dormi.
- Bom dia, Maria. Maria trabalha na casa de meu pai há pelo menos dez anos. É como uma mãezona.
Quer café, Madian?
- Sim, Maria.
- Pai, o senhor pode me deixar na universidade?
- Claro que sim. Coma alguma coisa e iremos.
Meu levanta e vai acabar de se arrumar para ir para o hospital onde trabalha. Ele é médico oncologista e adora o que faz. Sua dedicação me inspirou a querer ser médica.
- Vamos, Madian. Meu pai me chama. Termino de escovar os dentes e saímos.
Meu pai entra no campus da UFPB, é bem grande. Ele sabe melhor que eu, onde fica o bloco onde  passarei o primeiro semestre do curso. Ele também estudou aqui.
- Tchau, pai. Ele me dá um beijo na testa.
- Tchau, querida.
Sigo por um corredor com várias salas numeradas. A minha é a 1001, acho que fica no final do corredor. Aqui todos parecem se conhecer e eu me sinto estranha, sem conhecer ninguém.
- Madian!
- Regina. Ah, finalmente alguém que conheço. Ela vem na minha direção e me abraça. A Regina passou no vestibular para odontologia e ficará no bloco vizinho. Conheço a Regina desde criança, quando vinha passar as férias com meu pai. Ela é ótima, aquela que todos gostam, bem divertida.
- Madian, aqui tem muitos garotos bem gatos. Ela me diz apontando com o olhar para um grupo de garotos conversando. Não me interesso muito. Quero me focar no curso, foi para isso que vim morar aqui.
- Regina, preciso encontrar minha sala, depois nos falamos. Digo e saio.
- Ok, Madian.
Sigo pelo corredor e encontro a minha sala, fica mesmo no final do corredor. No lado da porta há uma lista com os nomes dos alunos novatos. Procuro meu nome e acho lá no meio da lista. Tem pelo menos uns trinta alunos nesta turma. Entro na sala e não há ninguém, estão todos pelos corredores esperando o início da aula. Escolho uma cadeira no canto da frente da sala e sento. Pego meus fones de ouvido e ligo o celular para ouvir música. Distraio-me com os adesivos do meu caderno novo. Estou de cabeça baixa quando vejo alguém passar pro mim e indo sentar-se duas filas atrás da minha. Olho discretamente para trás e me deparo com um par de olhos me olhando enigmaticamente. O tempo fica lento. Pareço ter ficado olhando naqueles olhos por minutos seguidos. Caraca! Meu coração dispara e um frio percorre minha barriga. Viro-me depressa. Olho ao redor e a sala continua vazia. Sinto vontade de sair daqui. Devia tê-lo cumprimentado, mas ele também não esboçou nenhuma reação. De repente todos começam a entrar na sala e logo depois entra uma professora que se apresenta e fala sobre sua disciplina. Não consigo parar de pensar nos olhos verdes. Penso em virar-me, mas não tenho coragem. Poxa, estou nervosa. Ele lembra o Iam Sommer, do The Vampire Diaries. Ele é simplesmente, lindo! Percebo umas garotas olhando na direção dele. Também se interessaram. Deve ser daqueles garotos que tem todas as garotas aos seus pés. Sem chance, Madian. Sou advertida pela minha consciência.
Ficamos sabendo que alguns professores faltaram por estarem num congresso e temos apenas três aulas. Quando o último professor se despede, eu me levanto rápido e saio. Ligo para meu pai me pegar e ele me manda pegar um taxi, pois não poderá sair. Pergunto a uma garota onde posso pegar um taxi e ela me mostra para onde devo seguir. Saio andando. Um pouco na frente para um Land Rover prata. o Ian da Paraíba aparece e entra no carro. Uau, ele é bem alto, tem um corpo atlético e está usando boné. Parece quase sem cabelos... acho que rasparam seus cabelos por ter passado no vestibular. Nossa! Nunca vi um rosto tão lindo. Na verdade nunca olhei diretamente nos olhos de um garoto, sempre fui muito tímida. Nunca me aproximei de um garoto, essa é a verdade. E depois do que aconteceu... Esqueça, esqueça. Sacudo a cabeça em negativa. O carro passa na minha frente. Tive a impressão de que ele olhava para mim. Baixei a cabeça e continuei andando. Cheguei em casa e fui para meu quarto. Maria me perguntou se já queria almoçar e falei que vou esperar meu pai. Ligo o computador e vou pesquisar fotos de Ian Somerhalder. Suspiro. Sou uma boba mesmo. Será que a Regina o conhece? Bom, amanhã nos veremos na sala de aula. Decido ler um pouco.
- Madian.
- Oi, pai.
Ele entra no meu quarto e senta na minha cama.
- Você está bem, filha? Ele pergunta carinhoso.
- Estou.
- E seu primeiro dia de aula, como foi?
-Foi legal.

Continuarei...